Índios acampam em usina, depois de um ano sem receber

Com os rostos pintados, cerca de 40 índios de Mundo Novo estão acampados em frente a sede da usina Santa Olinda, no distrito de Quebra Coco, em Sidrolândia.“São dezenas de índios em pé-de-guerra”, diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Fabricação do Açúcar e Álcool de Rio Brilhante e Região, Oviedo dos Santos. Apesar da entidade não representar os índios, ele diz que o Sindicato acaba sendo referência quando as reclamações envolvem a Santa Olinda.A usina é da CBAA (Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool e a Agrissul), que tem recebido recursos para investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), mas constantemente é denunciada por trabalhadores por desrespeito às leis.Entre os funcionários da usina, a presença dos índios não gera qualquer temor. “Já estamos acostumados, sempre tem um reclamando porque não recebeu”, diz uma das trabalhadoras, por telefone, que pediu para não ser identificada.O grupo foi demitido há um ano, e nunca teve os direitos trabalhistas pagos, relata o sindicato.Na manhã de hoje, eles chegaram em três ônibus e dizem que só sairão do local quando conseguirem os valores que foram buscar. “Não temos nada a perder, isso é um desrespeito”, diz Sebastião Gonçalves, que até 2008 trabalhou no corte de cana para a Santa Olinda.Além da situação dos índios, o sindicato também informa que a empresa não paga desde o início do ano, férias que já gozaram do benefício, mas sem os recursos referentes a esse direito. Outro problema é o atraso freqüente de salários. Até agora o mês de novembro ainda não foi depositado, garante o Sindicato.“A Santa Olinda, do empresário José Pessoa, já habitou-se a dar o calote nos empregados. Há quase dois anos ela vem promovendo constantes atrasos no pagamento de salários sem que nenhuma providência tenha sido tomada pelas autoridades, inclusive o Ministério Público do Trabalho – MPT, que deveria investigar e punir as inúmeras denúncias registradas no órgão ao longo desse período de quase dois anos”, reclama a entidade.Em Sidrolândia, a empresa informa que apenas a assessoria de Comunicação da CBAA responde sobre o assunto, em São José do Rio Preto (SP). Na administração nacional do grupo, foi solicitado tempo para detalhes sobre a situação dos ex-funcionários que estão acampados hoje em Quebra-Coco.